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Fomos à descoberta dos montes de Santa Olaia e Ferrestelo

Published on July 27, 2020 by admina

Quem é que ainda não a viu, a espreitar pelo meio das árvores, mesmo na saída de Montemor-o-Velho, na A14? Cada vez que por ali passávamos ela acenava, mas desta vez convenceu-nos. 

A Capela de Santa Eulália, ou Olaia, no topo do Monte de Santa Olaia, junta-se às ruínas vizinhas e à paisagem mediterrânica do Monte de Ferrestelo et voilá, nasce o casamento perfeito entre o natural e o cultural.

Capela de Santa Olaia

Subimos, expectantes, pelas escadas bem vincadas pelos séculos de pisoteio e a Capela de Santa Olaia começa a aparecer, tal e qual uma menina tímida, acostumada com a tranquilidade de um ancião. De uma simplicidade luminosa, encaixa naquele cume como se tivesse com ele nascido. O som do tráfego da autoestrada é abafado pela vegetação e a vista sobre os arrozais pode ser aproveitada na plenitude.

Há quem diga que a Capela foi construída no tempo do nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques, e há quem lhe atribua a mesma data da imagem de Santa Eulália nela resguardada, 1671. O que é certo é que acarreta um simbolismo especial para a população, não fosse Santa Eulália a padroeira da freguesia (Ferreira-a-Nova e Santana). Agora está fechada, a aguardar remodelações, mas a mera existência naquela envolvência é, para nós,  motivo de visita.

Castro de Santa Olaia

Descendo o monte pelas traseiras da capela, deparamo-nos com o Castro de Santa Olaia, um povoado fortificado cujas ruínas sobressaem no meio da vegetação. A realidade é que, estarmos ali rodeados por aquela mancha de floresta autóctone, faz com que sintamos aquele pedaço de história com mais autenticidade.

As escavações, levadas a cabo pelo arqueólogo figueirense António dos Santos Rocha, entre o final do séc. XIX e início do séc. XX, revelaram a sobreposição de, pelo menos, seis povoamentos: um do Neolítico, três da Idade do Ferro, um Romano e um Medieval.É, no entanto, à Idade do Ferro que se associa várias das estruturas habitacionais, tal como a maioria dos artefactos recuperados. Pensa-se que, na altura, as águas do Mondego estariam mais altas, fazendo destes dois montes ilhas, entre as quais existiria um porto. 

O vasto material, de origem púnico-fenícia, recuperado durante as escavações, confirma que este poderia ser um local de troca de produtos com povos além estreito de Gibraltar, como os Fenícios, que vinham em busca de minérios (como o estanho), vinho, trigo e mel. A paisagem mediterrânica aliada ao património histórico e arqueológico fazem deste um Sítio Classificado, que é como quem diz protegido, permitindo conservar os seus valores naturais, científicos e culturais, fazendo um uso sustentado do território e promovendo a educação ambiental e as visitas recreativas e científicas de forma ordenada. 

Embrenhem-se no Monte do Ferrestelo e sintam a antiguidade deste bosque que, ainda que numa zona de influências atlânticas, é tipicamente calco-mediterrânico. Esta pequena mancha florestal é o testemunho de como seria o coberto vegetal do território centro-oeste de Portugal. Para além de espécies de excelência, como o carvalho-cerquinho, o aderno ou o ulmeiro, o porte de alguns exemplares diz-nos que a capela tinha razão, por estes montes vagueia o espirito ancião. 

Museu Santos Rocha

Entre o material recuperado no Castro de Santa Olaia está muita cerâmica, como os cerca de 30 grandes potes, contas de colar, objectos de vidro, osso e pedra, e inúmeras peças ligadas à tecelagem e à actividade piscatória. Grande parte pode ser visitado no Museu Municipal Dr. Santos Rocha, na Figueira da Foz, mesmo ao lado do Centro de Artes e Espectáculos. Iniciado por Santos Rocha como Museu Municipal da Figueira, em 1894, foi rebaptizado após a morte do arqueólogo em 1910, como forma de reconhecimento por ter feito da Figueira da Foz um importante centro arqueológico nacional. Grande parte do espólio provém de expedições científicas do próprio Santos Rocha e da Sociedade Arqueológica, mas não se fica por aí. Este museu transcende qualquer fronteira de espaço e de tempo, abarcando inúmeras épocas e contextos, desde a numismática à 1ª Guerra Mundial, pré-história ou extracção de carvão, colecções etnográficas, secções artísticas, como pintura e escultura, bem como núcleos temáticos focados no mar e no sal. 

As exposições do Museu Santos Rocha distribuem-se entre as permanentes, com entrada de 2€ para uma viagem no tempo, e as temporárias, de entrada livre. Destas, de momento, a visita assenta sobre a quase infinita linha cronológica com objectos inéditos sobre Santos Rocha, arqueologia e territórios da Figueira da Foz, onde se encontra algum material dos Montes de Sta. Olaia e Ferrestelo. Também podem explorar os Fragmentos da história do carvão e do cimento no Cabo Mondego, numa visita pelas camadas de história deste Cabo tão especial para nós.  visitas guiadas aos Montes de Sta. Olaia e Ferrestelo na calha, por isso fiquem atentos à página do museu.

Texto: Inês Teixeira
Fotos: Inês Teixeira e Pedro Costa